INFORMATIVO
DIFERENCIANDO SURDOCEGUEIRA DE DMU, RELACÃO E SEMELHANÇAS NAS
ESTRATÉGIAS DE ENSINO.
A
surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo
tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que
apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e
visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla.
Segundo o fascículo (AEE-DMU), as pessoas surdocegas estão divididas em quatro
categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se
tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram
surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma
linguagem.
Surdocegueira:
- Congênita e surdez adquirida
- Surdez congênita e cegueira adquirida
- Cegueira e surdez congênita
- Cegueira e surdez adquirida
- Baixa visão com surdez congênita ou adquirida
Deficiência
múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma deficiência, “é uma condição
heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações
diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o
relacionamento social” (fascículo DMU). As pessoas com deficiência múltipla
apresentam características específicas, individuais, singulares e não
apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar
cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental;
deficiência auditiva e autismo e outros.
“O termo
deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o
conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial,
mental, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório
dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de
desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social
e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas”.
(MEC, SEESP, Educação Infantil: Saberes e práticas da inclusão; 4, 2003, p. 11).
A mais frequente
causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral, que compromete a postura
e a mobilidade. Os movimentos voluntários são limitados em termos qualitativos
e quantitativos.
Apresentando necessidades físicas e médicas:
·
Limitações
sensoriais (visual e auditiva);
·
Convulsões;
·
Controle
respiratório e pulmonar;
·
Limitações
sensoriais (visual e auditiva);
·
Problemas
com deglutição e mastigação;
·
Saúde
mais frágil com pouca resistência física.
Necessidades emocionais de:
·
Afeto;
·
Atenção;
·
Oportunidades
de interagir com o meio e com o outro;
·
Desenvolver
relações sociais e afetivas;
·
Estabelecer
uma relação de confiança;
Necessidades educativas devido a:
·
Limitações
no acesso ao ambiente;
·
Dificuldades
em dirigir atenção para estímulos relevantes;
·
Dificuldades
na interpretação da informação;
·
Dificuldades
na generalização.
A comunicação acontece nas interações sociais e
envolve a comunicação receptiva e expressiva. A comunicação envolve a
transmissão de informação entre dois ou mais indivíduos e pode realizar-se por
meio do uso de formas de comunicação simbólicas ou não simbólicas, estabelecer
a necessidade para comunicar, criar oportunidades para a criança poder
comunicar na rotina, aceitar e reforçar os atos comunicativos usados pela
criança, observar a forma, a função e as intenções comunicativas dos
comportamentos comunicativos e descrevê-las cuidadosamente.
É preciso
desenvolver atividades de maneira multissensorial para garantir aproveitamento
de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma aprendizagem
significativa com oportunidades de generalizar para outros ambientes e pessoas
(atividade funcional).
A
pessoa com deficiência múltipla necessita de um ambiente reativo, isto é, que
responda a suas iniciativas. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a
habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas.
Por propósitos de comunicação perceptiva (como meio de prover
informações para um indivíduo), os símbolos tangíveis podem ser utilizados
antes do surgimento das habilidades de comunicação pré-simbólica intencional.
Usando símbolos tangíveis aumenta receptivamente a probabilidade de que a
comunicação para o indivíduo com deficiência múltipla ou surdocegueira será
entendida. Também ajuda a reforçar a associação entre símbolos e referências de
tal forma que quando o indivíduo estiver pronto para usa-los expressivamente, a
correspondência já foi estabelecida.
Comunicação alternativa e aumentativa
refere-se a sistemas usados para dar suporte às habilidades comunicativas do
indivíduo cuja fala esteja temporariamente ou permanentemente inadequada para
suprir as necessidades comunicativas do mesmo. Muitos indivíduos múltiplos
deficientes usam um pouco de fala, vocalizações ou sons e gestos ou
comportamentos para se comunicar, mas não de maneira efetiva, por isso se
beneficiarão de um sistema alternativo e aumentativo de comunicação.
A
aprendizagem vai depender do modo como a criança surdocega estabelece seu
contato com o meio e este com ela, de qual o recurso utilizado na comunicação e
a de sua capacidade de ser compreendida e de compreender as demandas do seu
universo familiar, escolar, social e cultural.
O
processo de aprendizagem da via de comunicação exige atendimento especializado,
com estimulação específica. Quando a criança é estimulada precocemente, ela
adquire comportamentos sociais mais adequados e, também, poderá desenvolver e
aprender a usar seus sentidos remanescentes.
Portanto, as trocas interativas
das crianças precisam estar orientadas para o desenvolvimento dos sentidos
remanescentes, entre eles, cutâneo, cinestésico (corporal- articulações e
músculos; e, sensorial - visceral), gustativo e olfativo, como forma de acesso
à informação na ausência dos sentidos da visão e audição.
A chave para
o sucesso chama-se MOTIVAÇÃO. Só aprendemos quando motivados, por isso toda a
preocupação em focar a educação da pessoa com deficiência múltipla dentro de
atividades funcionais e significativas para ele. A possibilidade de se
comunicar e ser ouvido, de ter a oportunidade de fazer escolhas dentro de uma
rotina previsível, com atividades sendo antecipadas por um meio de comunicação
dentro de suas possibilidades que podem levar a pessoa a perceber que tem
controle sobre sua vida, nem que seja em uma pequena parte, o que é altamente
motivante.
Segundo Nunes (1999) no trabalho com a pessoa com deficiência
múltipla é fundamental a colaboração da família bem como dos profissionais de
outros serviços no qual todas as pessoas partilhem dos mesmos objetivos. A
intervenção se torna mais rica e a responsabilidade é partilhada por todos,
assim a família não se sente isolada nem tampouco atribui sucessos e fracassos
inteiramente a escola.
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.;
MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (MEC- 2010). A pessoa com Surdocegueira. A pessoa com Deficiência
Múltipla. - Necessidades Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com
Deficiência Múltipla. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla.
Texto elaborado pela coordenadora da disciplina Profa. Dra.
Shirley
Rodrigues Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas de Solução para o
Problema.
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